Radio Lacan
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Psicanálise da Orientação lacaniana

“Partiremos do fato que o mistério, o ponto de real, é ‘a união da palavra e o corpo’, mais além da pulsão freudiana que reunia carga libidinal e representação do mito fundador. Deste ponto, avançaremos na exploração da análise do ser falante, análise essa, para a qual nos convida Jacques-Alain Miller em sua conferência de encerramento do último congresso da AMP. Teremos presente também, ao longo deste estudo, até o ponto em que o paradigma cognitivo contemporâneo da psicologia quer fazer calar o corpo, reduzi-lo a um comportamento, para assim exaltar o processo cognitivo, inclusive, ao qualificá-lo de emocional. Perguntaremos-nos também, ao longo deste ano, como a extensão do sintoma permite manter o laço com as outras disciplinas clínicas que utilizam também a palavra sintoma”. Cada aula irá consagrar a leitura de um texto de Lacan mencionado na conferência de Jacques-Alain Miller ou um texto que ressoe com esta. O Rádio Lacan agradece a Éric Laurent por ter concordado na transmissão de seu seminário, ao vivo, e que foi exposto em 2014-2015 na ECF de Paris: "Falar a língua do corpo". As elaborações de Éric Laurent durante este seminário compõem um documento essencial para a preparação do tema do próximo congresso AMP Rio-2016: O inconsciente e o corpo falante.
Episódio 1
Primeira aula: O corpo e o gozo- o momento “Radiofonia”
Nesta primeira aula Éric Laurent utiliza como referência a entrevista de Jacques Lacan para a radiodifusão Belga em 1970. Texto publicado no Outros Escritos, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, p. 200.
107:00 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 25.11.2014
Episódio 2
Segunda aula: O sintoma mais além do sintoma histérico - Leitura de "Joyce o sintoma"
Após a primeira aula centrada sobre o corpo e o gozo, Éric Laurent dá continuidade, nessa segunda aula, a seu trabalho de reflexão sobre o recente comentário do último ensino de Lacan reunida por J.-A Miller em sua conferência apresentada no IX Congresso de la AMP. Nesta aula, Éric Laurent comenta com precisão o texto de Jacques Lacan publicado nos Outros Escritos "Joyce o sintoma".
90:10 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 16.12.2014
Episódio 3
Terceira aula: Conhecer seu sintoma? Leitura da aula de 16 de novembro 1976 do Seminário: "L'insu que sait de l'une bévue"
"E, então, o que quer dizer conhecer [seu sintoma]?”, fórmula de Lacan de sua aula de 16 de novembro de 1976, a seguir diz: "conhecer quer dizer: - saber fazer com esse sintoma, - saber desenredá-lo, - saber manipulá-lo". Éric Laurent comenta em detalhes a aula de 16 de novembro de 1976 do seminário de Jacques Lacan: "L'insu que sait de l'une bévue s'aile à mourre".
A aula está publicada em francês na Revista Ornicar? N° 12/13, 1977, p.4.
99:33 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 20.01.2015
Episódio 4
Quarta aula: O escabelo e a sublimação. Leitura de "Joyce, o Sintoma"
"O escabelo não é a escada – é menor que uma escada– mas, tem degraus. O que é escabelo? – me refiro ao escabelo psicanalítico, não é só aquilo que se necessita para alcançar livros em uma biblioteca. Isso, em termos gerais, seria alguma coisa pela qual se eleva o parlêtre, se levanta para pôr-se belo (...) O escabelo é um conceito transversal. Traduz de um modo figurado a sublimação freudiana, mas, em seu entrecruzamento com o narcisismo. Eis aqui uma aproximação que é propriamente da época do parlêtre. O escabelo é a sublimação, mas enquanto fundada no eu não penso original do parlêtre. O que é esse “eu não penso”? É a negação do inconsciente diante da qual o parlêtre se crê amo de seu ser. A isto, com seu escabelo, lhe acrescenta que se crê um mestre belo. O que se chama a cultura, não é senão, a reserva dos escabelos, onde vamos buscá-los para que “se achem”, se vangloriem*.
Jacques-Alain Miller, "Apresentação ao tema do Xº Congresso da AMP” - Rio 2016.
101:52 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 03.02.2015
Episódio 5
Quinta aula: "O resto do falantesser, o corpo que se tem". Leitura do Seminário XXIII
“Vocês precisam perceber que o que eu lhes disse sobre as relações do homem com o seu corpo atém-se inteiramente ao fato de o homem dizer que o corpo, seu corpo, ele o tem. Dizer seu já é dizer que ele o possui, como se fosse, naturalmente, um móvel. Isso nada tem a ver com qualquer coisa que permita definir estritamente o sujeito, que, por sua vez, só se define de modo correto na medida em que é representado por um significante junto a outro significante”.
Jacques Lacan, O Seminário 23: o sinthoma. Jorge Zahar Editor, pág. 150.
93:38 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 05.03.2015
Episódio 6
Sexta aula: O escabelo e o sintoma. A solução joyceana da "epopéia do corpo" em "Ulisses", o desabonado do inconsciente em "Finnegans Wake"
"Se Lacan se apaixonou por James Joyce e especialmente por sua obra Finnegans Wake, foi devido à façanha – ou à farsa – que representa por fazer convergir sintoma e escabelo. Em termos exatos, Joyce fez do próprio sintoma como fora do sentido, ininteligível, o escabelo de sua arte. Ele criou uma literatura cujo gozo é tão opaco quanto o do sintoma, nem por isso deixando de ser um objeto de arte elevado sobre o escabelo à dignidade da Coisa".
88:33 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 14.04.2015
Episódio 7
Sétima aula: “O inconsciente como elucubração de saber sobre lalíngua do corpo falante”
"O que é uma elucubração de saber? É uma articulação de semblantes a um só tempo se desprendendo do real e envelopando-o. A mutação maior que atinge a ordem simbólica no século XXI é o fato de ela ser, doravante, amplamente conhecida como uma articulação de semblantes. As categorias tradicionais que organizam a existência passam para o nível de simples construções sociais, votadas à desconstrução. Não é apenas o fato de os semblantes vacilarem, mas de eles serem reconhecidos como semblantes. E, devido a um curioso entrecruzamento, é a psicanálise que, por meio de Lacan, restitui o outro termo da polaridade conceitual: nem tudo é semblante, há um real".
Jacques-Alain Miller, "O inconsciente e o corpo falante".
98:23 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 05.05.2015
Episódio 8
Oitava aula: O corpo falante e seu sinthoma. Consequências sobre a igualdade clínica, a transferência, o controle, o passe.
"Disso resulta, se assim posso dizer, uma declaração de igualdade clínica fundamental entre os falasseres. Os seres falantes estão condenados à debilidade mental pelo próprio mental, precisamente pelo imaginário como imaginário de corpo e imaginário de sentido. O simbólico imprime no corpo imaginário representações semânticas tecidas e desatadas pelo corpo falante. É nesse sentido que sua debilidade destina o corpo falante como tal ao delírio. Perguntamo-nos como alguém que foi analisado poderia ainda se imaginar como sendo normal."
Jacques-Alain Miller, "O inconsciente e o corpo falante".
93:39 minutos | Áudio em Francês | Gravado em 02.06.2015
Pierre Naveau